Tudo é Ficção.
   Hoje estou acordado desde ontem.

Hoje estou acordado desde ontem.

 

Mas finjo que não sei. Finjo que o ontem ainda é hoje, por isso não dormi. Penso que o ontem ainda está ao meu lado. Andar com o ontem torna tudo complicado. Mas finjo que não sei. Finjo que o ontem é hoje.

Hoje mesmo, um dia qualquer de Outubro, me parece com um de Setembro, ou mesmo de Agosto. Na verdade, os meses também são ontem com estações diferentes. Tem dias com casacos e dias sem. Mas finjo que não sei. Finjo que o frio de ontem ainda não foi, e que o calor continua a fazer me suar. Simplesmente não sei, ou finjo que. Para quê saber tudo? Finjo que não sei.

Hoje estou acordado desde ontem. Ontem também não dormi. Ontem estava acordado, como sempre estive a partir do momento em que o ontem passou a fazer parte da minha vida. Mas finjo que não sei. Prefiro estar acordado. Sorrindo com a companhia vaga do hoje, mas no fundo chorando a constante presença do ontem.

 

Hoje estou acordado desde ontem.



Escrito por Marcelo Valadares às 21h21
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Bêbo para entorpecer a alma. Não que o corpo não fique insano, ele fica! mas meu intuito não é esse! Quero que essa coisa por trás de mim, saia de si. Bêbo. Fumo. Cheiro. Quero que saia, mas não sai. A morte é o entorpecimento da alma? Será que ao morrer a alma fica insana por não ter mais corpo, e finalmente, louca, se joga na sarjeta?

Quero a insanidade da Alma.

Quero a morte do corpo?

Talvez!

Quero a Alma livre.

Louca.

 A loucura é a liberdade da alma. 



Escrito por Marcelo Valadares às 01h40
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   Há tempo que não vivo de ficção, meu mundo anda real demais.
Concreto, sem sonho, nem poesia.
Tem vento,espero tempestade.
Que a chuva caia e me molhe.


Escrito por Marcelo Valadares às 01h13
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   Ao Mondego...

O rio vigiava.

(O que passava com o momento.)

De cabeça virada,

eram corpos.

Beijavam diante da inquisição.

Com o rio testemunha.

O sol passou.

Vai entender esses rios da vida...



Escrito por Marcelo Valadares às 00h25
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   O fim.

Os dentes, esses já se foram.

Perdidos pelo tempo,

desceram pelo ralo.

As pernas bambas.

O olhar cego.

O cabelo sem cor.

O final da vida é cinza.

 



Escrito por Marcelo Valadares às 00h16
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   tic!

Tic tic tic tic... o relógio só tocava o tic. Nos dias de tac ele não acordava. Nos dia de tac ele dormia. O tac era. Tac era o complemento do tic. Tic tac. Completo assim era muito cheio. Preferia viver nos intervalos. Só tic. Tac não. Tac era para os fortes. Ele era fraco.  Na loja sempre perguntava: “Esse relógio faz tic tac?” “Faz sim senhor”, “Tem algum só com Tic?” Vivia sem relógio. Vivia sem tempo. Dormia de dia, vivia a noite. Nos tics da vida. O tac era só para os fortes. Tic.

 

Ele vivia sem relógio.



Escrito por Marcelo Valadares às 12h53
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Sem medo e sem volta. Tudo ficou para trás. A fulga se concretizou. O ruim e o bom ficaram marcados, e só. Novo rumo...

Tudo continua sendo ficção.

Sem volta.

Sem volta.

Sem volta.

Sem medo.

Adeus!



Escrito por Marcelo Valadares às 12h14
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   Quero tomar Coca-Cola no café da manhã.

Desculpa. Devia ter dado mais  ouvido as suas loucuras. Loucos são os que saem da caverna. Os normais são os que permanecem. Os normais são hipócritas. Se eu pudesse te dar um conselho, daria apenas um: Não conte verdades. Verdades são para os loucos. Os normais vivem escondidos em mentiras. Desculpa. Minhas lágrimas agora caem. Sinto-me insano. Perdido. Sem poder nadar. Sem atravessar. Não dá para voltar. Tem um oceano agora. Você sempre soube tudo, sempre disse tudo. Até de mim, nunca errou em nada. Tudo. E todos te chamando de louca. Loucos. Criança burra, sem fatos, nu, vestida a força. Tem frio. Fotos. Criança louca. Mal compreendida. Desculpa criança. Desculpa. Se fosse eu quem estivesse naquele carro hoje, eu desceria. Se fosse eu que estivesse naquele quarto, eu te protegeria. Não liga. Prometo não ter mais medo. Teremos outra vida para consertar? Você ainda tá ai? Você ainda me quer como filho? Me escuta! Eu tava errado. Eu fui errado. Quero voltar. Quero o útero de novo. Quero viver tudo de novo. Diferente. Quero ser diferente. Eu podia. Que mal tem Coca Cola no café da manhã? Que mal tem? Meus filhos vão tomar Coca Cola a hora que quisserem. Viverão em verdades. Eles serão loucos. Não quero hipocrísias. Acho que estou conhecendo a loucura. Minhas mentiras não cabem mais em mim. E você é a única que me enxergou. Mesmo longe.  Quero gritar, tudo que eu acho. Quero falar que o vestido é feio. Quero ficar em um canto, espiando a sala. Quero cantar Bem te vi e brincar de roda. Quero morar em um apartamento vazio. Isso é ser vazio? Quero ter uma bicicleta vermelha e trocar por uma rosa. Quero uma mochila da Company azul, troca comigo? Quero Coca Cola de manhã. Quero te pedir desculpa. Quero consertar. Eu to perdido. Você ainda me ouve? Você vai ter medo de mim se eu te procurar? Quero ser criança de novo. Quero tomar Coca Cola no café da manhã.  



Escrito por Marcelo Valadares às 23h28
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   imagem

Os olhos, que luziam juventude,

observavam as jovens.

Da janela, a senhora sorria um sorriso de quem já.

Algo longe

das mãos murchas,

sentia perto,

no fundo dos olhos

juvenis.

Ouvia ao longe, talvez no tempo, um grito:

"Já pra dentro, meninas!"

Uma lágrima, um sorriso...

Resquícios de idade.



Escrito por Marcelo Valadares às 02h24
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   Apenas sós

Não cobre.

Nada.

Nem olhar, nem palavras, nem gestos.

Não cobre ofensas.

Não existe mais nada a oferecer. Nem mesmo o nada.

Ele está repleto de vazios.

Nada vazio é muito só.

Cada um que viva em sua solidão, sem nada e sem vazios.

Apenas sós.



Escrito por Marcelo Valadares às 23h28
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   A incoerência da batata doce

O pretérito era o principal verbo da mesa.

O futuro?

O máximo amanhã.

O assunto da batata doce começou quando um dos senhores, o de boina, deu a primeira mordida em um doce,

que as três bocas murchas saboreavam.

-Minha mãe fazia um assim, mas tinha algo diferente, talvez a batata...

-Eu tive uma amante que adorava me fazer esse doce...

-Lembram-se de quando vendiam lascas de batata doce no cinema? Que tempo...

Belo o doce acompanhado de recordações.

Reticências no exclamar.

Pouca vida. Muita vida.

Como a velhice é incoerente!



Escrito por Marcelo Valadares às 21h43
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   ...

Silêncio!

Shhhhh...

Os olhos estão falando. Escuta! Calma, escuta. Silêncio. Escuta o olhar. Olha como ele é sincero. Shhhhh. Silêncio! Seus lábios fazem muito barulho. Silêncio! Escuta as mãos, os gestos, o toque. Cala a boca. Fica quieto. Escuta o olhar. Tá ali. Tudo. Nada, não tenha vergonha!

Não fuja!

ou fuja! Fuja desse olhar. Corra, insano, perdido.

Olhe, escute, percebe? Os olhos tão ali. Janela aberta, alma aberta, diz tudo. Diga. Não precisa. Fuja.

Shhhhh...

Silêncio, Mudo, Parado.

Fecha os olhos. Eles estão gritando. Saia, correndo. Fecha, anda! Não Berra. Silêncio. Não chore. Não escute mais, não fale mais. Silêncio. Silêncio. Silêncioooo.

Shhhh...

...



Escrito por Marcelo Valadares às 17h19
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   Doidera sobre o tempo passado em uma padaria

Passado. Ainda dá tempo! Presente. Ainda dá tempo? Futuro. Sempre esse futuro que nunca chega. Cansados, não? Cansados sim! Sempre cansados e velhos  ou novos demais para viver o presente. O futuro  parece o passado refletido em um presente que não existe. Cansados disso, não? Sim. Foder o futuro. Celebrar o passado. Viver o presente.  Amanha? Não sei, talves por ai, em uma rua de Nova York, quem sabe? Entorpecido de passado. Feliz com o presente. Indiferente ao futuro.

Escrito por Marcelo Valadares às 03h30
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   Doidera sobre o tempo passado em uma padaria 2

A sinceridade... oi, antes de continuar, posso ser sincero? Estava em dúvida como escrever sincero. Se com "c", Cincero, se com 2"ss", Sinssero, ou com "ç", Çincero. Dai, me lembrei que Ç não inicia palavra nenhuma, pelo menos por aqui. Por aqui não. Mas na França? Na França sim! Lá, por exemplo, tem o "Ça va". Ça va bien? Oui, Ça va. Engraçados esses franceses com Ç no início das palavras. A sinceridade também é engraçada... ela não tem  nada a ver com a intimidade mas, sim, com algo mais. Talves tenha a ver com a simplicidade. As pessoas simples são francas, mas não necessáriamente as francas são simples.  Vou ser sincero de novo. Não pensava isso antes de escrever. Engraçado como as letras são mais sinceras e simples que as palavras ditas. É isso, as letras são simples e sinceras. Na hora do Eu te amo por exemplo, é mais sincero alguém escrever do que falar. O dito vai ficar ali, perdido. A escrita não, fica registrada. Mas voltando um pouco. Às vezes me perco nas palavras, não repare, isso é comum em minha pessoa. Mas voltando um pouco, eu queria continuar a tecer algumas considerações sobre a sinceridade e a intimidade. Acho que nem sempre elas estão juntas. Tem gente que conhece outra a anos e nunca foi sincero. Tem outras, que no primeiro dia, já diz tudo o que pensa, “Que cabelo é esse menino? kkkk”, são mais simples. A simplicidade. É dificil de dizer, não sei, será ela sincera? Penso! Caso a simplicidade não seja sincera, então tudo o que eu disse cai por água. É, acho que as vezes a simplicidade não é sincera.  Melhor terminar esse texto logo. Já tá muito chato. Aliás, está muito chato. Acho que só gostei da parte do Ça va. Nem isso. Enfim... Voltar a padaria. Onde é mesmo?



Escrito por Marcelo Valadares às 02h40
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   Para evitar amor...

Não escute o coração alheio. Não, não faça isso. É esse “tu tu tu” acelerado e desritimado que faz com que o seu coração entenda que do outro lado, o de fora, tem outro coração batendo por ele. Não cometa a burrada de escutar nenhum coração, repito. Seu “tu tu tu” não entende “Eu te amo”ou qualquer outra palavra dita. A única coisa que ele entende é outro “tu tu tu”, então, não deite no peito de ninguém e não deixe ninguém deitar em seu peito. Coração é burro por isso. Ele não entende gestos, não entende palavras, só “tu tu tu”. Não deite no peito de ninguém...  



Escrito por Marcelo Valadares às 22h08
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